25.9.10

Esquizofrenia- Uma abordagem Ortomolecular e Nutricional

     A  esquizofrenia é uma desorganização dos processos mentais e  significa literalmente mente dividida (do grego skhizo=dividir, separar, fender + phren=mente) . É um quadro complexo e dependendo do seu grau de intensidade pode se tornar uma psicopatologia   profundamente perturbadora.  Ocorre em indivíduos com características psicológicas singulares apresentando sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções. Geralmente causa prejuizos nas interelaçoes pessoas, familiares, ocupacionais e requer acompanhamento ao longo da vida do paciente. 

Sintomas da Esquizofrenia
Esquizofrenia simples: desenvolve-se lentamente, sendo caracterizada pela falta de interesse pelos outros, falta de energia e desejo de reclusão.
 Esquizofrenia catatônica: a pessoa as vezes fica extremamente reclusa ( sentada por dias a fio num canto na mesma posição).
 Esquizofrenia desorganizada: normalmente começa na puberdade. Dentre os sintomas está rir e dizer tolices inadequadas, rir sozinho, comportar-se de forma bizarra e muitas vezes obscena e extremo afastamento social. A pessoa pode ouvir, ver, cheirar, coisas que não existem (alucinações). Pode ter delírios de natureza religiosa, paranóide ou sexual.
 Esquizorenia paranóide: é caracterizada pela preocupação com delírios absurdos e as v ezes mutáveis, normalmente mania de perseguição, ou ciúme Ansiedade extrema, desconfiança, raiva e violência são típicos.

    Existem outras formas reconhecidas, com sintomas que ás vezes se sobrepõe, levando á confusão no diagnóstico.  A esquizofrenia definitivamente não é um problema de dupla personalidade (distúrbio de múltipla personalidade).

Alguns fatores relacionados  à esquizofrenia
-Intolerância a vários alimentos/substâncias químicas. Os culpados mais comuns: leite, glúten, fumaça de cigarro e gasolina.

- Deficiências e/ou dependências nutricionais (necessidades anormais) – muitas vezes, vitamina B3 ou B6 e zinco. Denomina-se “Pirolúria” a deficiência dupla familiar de zinco e vitamina B6.

-Deficiência ou excesso de determinados ácidos graxos.

-Infecções (atuais ou desenvolvidas durante a gestação).

-Metabolismo anormal de carboidratos.


Causas da Esquizofrenia e Tratamentos Utilizados
     O *Dr.Carl C . Pfeiffer observou que os sintomas da esquizofrenia podem estar relacionados a uma ou mais das seguintes substâncias químicas: prostaglandinas, endorfinas, serina, prolactina, desiquilibrios de serotonina, dopamina, prolactina, leucina, histidina e plaquetas deficientes em monoamino oxidase.

   As estimativas de prevalência são altas: 3,4 casos para cada 120 pessoas. A esquizofrenia é nos dias de hoje, um problema de saúde pública, cuja importância vem crescendo em países em desenvolvimento. Seu índice de morbidade é alto, ou seja, 60% dos pacientes recebem benefícios por invalidez após um ano de doença nos Estados Unidos, assim como sua mortalidade (índice de suicídio de 10%). 
    É uma doença que ocorre em todas as sociedades e ao redor do mundo em proporção equivalente, um pouco maior nas áreas urbanas e de baixo nível socioeconômico. Os sintomas tem inicio na adolescência ou  idade adulta, nos homens entre 17 e 27 anos e nas mulheres entre 17 e 37 anos.
*Carl Curt Pfeiffer, M.D., Ph.D. (1908–1988)  físico e bioquímico pesquizador da esquizofrenia, aleergias e outras doenças e considereado o fundador da chamadar Psiquiatria Ortomolecular.


 Sigmund Freud, pai da psicanálise, admitiu que a psicanálise não ajudaria nos casos de esquizofrenia, prevendo que um dia descobriríamos que se trata de um problema de desequilíbrio bioquímico. Recentemente a psiquiatria ortodoxa vem fazendo uso cada vez maior de drogas para alterar a química cerebral das pessoas com esquizofrenia.  No mesmo período de tempo, a psiquiatria ortomolecular desenvolveu formas de restaurar a bioquímica normal através de Métodos Nutricionais. 

     Além da  Terapia Nutricional, as drogas ás vezes são usadas inicialmente para controlar os sintomas enquanto a terapia mais natural tem tempo para equilibrar a bioquímica por trás dos sintomas. Usadas dessa forma, as drogas não tendem a ter os efeitos colaterais que apresentam quando usadas sem a Terapia Nutricional.
    Uma vez que todas as substâncias químicas corpo são produzidas por Nutrientes, as manobras nutricionais escolhidas pelos ortomoleculares são realizadas na tentativa de equilibrar o nível dessas substancias, da mesma forma que em uma pessoa saudável.


Epidemiologia
         As estimativas de prevalência são altas: 3,4 casos para cada 120 pessoas. A esquizofrenia é nos dias de hoje, um problema de saúde pública, cuja importância vem crescendo em países em desenvolvimento. Seu índice de morbidade é alto, ou seja, 60% dos pacientes recebem benefícios por invalidez após um ano de doença nos Estados Unidos, assim como sua mortalidade (índice de suicídio de 10%). É uma doença que ocorre em todas as sociedades e ao redor do mundo em proporção equivalente, um pouco maior nas áreas urbanas e de baixo nível socioeconômico. Os sintomas começam a se manifestar na adolescência ou início da idade adulta, nos homens entre 17 e 27 anos e nas mulheres entre 17 e 37 anos.

Efeitos colaterais dos Medicamentos e Impactos na Saúde
    De acordo com o psiquiatra Willian H. Philpott, entre os efeitos colaterais do uso crônico das drogas neuropléticas estão: lesões permanentes no fígado, pele, córnea, medula óssea, coração e sistema nervoso central. Podem Também ocorrer outros tipos de efeitos colaterais como, por exemplo, a discinesia tardia. Esta caracteriza-se por um distúrbio cerebral com sintomas bizarros que erroneamente é diagnosticado como psicose.

    Um estudo realizados em 1970 no Massachussets Institute of Technology,os médicos ortomoleculares trataram a patologia com o nutriente colina, matéria-prima para a acetilcolina, substancia química que atua no cérebro. Algumas vezes também é utilizado o manganês, pois os tranqüilizantes podem causar deficiência desse nutriente, que ajuda o organismo a utilizar diversos outros nutrientes. As vitaminas que comprovadamente impedem aparecimento da dicinesia tardia são: B3, B6, C e E.

Abordagens utilizadas pela Terapia Ortomolecular
1 Suplementação Nutricional

Utilizaçao de suplementação de vitamina B3 (em especial os pacientes de esquizofrenia aguda).

Qual a influência da Vitamina B3 nos processos mentais?

     Analisando a teoria do adrenocromo (substância química anormal produzida pelo organismo e que pode levar a esquizofrenia) doutores Abram Hoffer e Humphry Osmond concluíram que a adrenalina velha ficava rosa e, quando administrada aos pacientes, eles reagiam, durante um breve período como atitudes que lembravam a esquizofrenia. Propuseram então que a adrenalina produzida no organismo das pessoas esquizofrênicas era metabolizada de forma anormal, transformando-se na adrenalina rosa, cujo ingrediente ativo é o adrenocromo. Estudaram então as reações químicas que transformam a adrenalina útil no adrenocroma anormal e descobriram que grandes doses de vitamina B3 e C diminuíam o ritmo da conversão - e que as pequenas quantidades do adrenocroma produzido seriam neutralizados. A vitamina B3 também auxilia a atividade da acetilcolina podendo assim aumentar os níveis de serotonina, que é um tranqüilizante natural.

    A Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo – NAD, é uma coenzima necessárias ao correto funcionamento de áreas vitais do cérebro. Na esquizofrenia ocorre uma falha no fornecimento de suficiente quantidade de NAD ao cérebro. A vitamina B3 é necessária para a transformaçao do triptofano, um aminoácido em NAD. Se existe deficiência de B3 ( niacina) essa transformaçao do triptofano em NAD é interrompida e ocorre nao somente uma deficiência de NAD, mas tamb[em uma sobrecarga de triptofano na quimica cerebral. O triptofano é considerado um dos mais tóxicos the todos os aminoácidos. Uma sobrecarga deste pode ser muito danoso ao cerebro, especialmente se nao for propriamente convertido em NAD, causando indesejáveis e perceptíveis mudanças de humor. Se houver deficiência de B3, por qualquer que seja a razao, a consequente deficiencia de NAD kevará ao continuo aumento de triptofano a menos e até que os niveis adequados fe B3 sejam reestabelecidos.

Fontes de B3 (Niacina): amendoim, a Castanha do Pará, o fígado, batata doce, cenoura, carnes magras, abacate, cereais integrais, brócolis, e ovos.

Qual a influência da Vitamina B6 nos processos mentais?

    Existe uma clara evidência de que a vitamina B6 está envolvida no metabolismo do triptofano-niacina. Mais ainda, a B6 é precursora de mais de 60 reações enzimáticas, é necessária para o metabolismo adequado de todos os aminoácidos sendo necessária para a manutenção de um sistema imunológicos. Uma substância chamada * kryptopyrrole (KP) também chamado “mauve factor” tem sido observado em quantidade anormal na urina de pacientes psiquiátricos, especialmente esquizofrênicos. Esta substância se une á B6 e zinco esgotando-as mais rapidamente do organismo.

*O alto nível de Kryptopyrrole na urina também é verificado em indivíduos Autistas, ADHD (TDHA) – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Transtorno Bipolar, Síndrome de Down e Alcoolismo.

Fontes de vitamina B6: atum, truta, salmão, nozes, amendoins, avelãs, milho e cereais de grão integral.


2 Diminuição dos Níveis de Proteína animal no organismo
     O Dr. Allan Cott ( pesquisador e um dos primeiros psiquiatras ortomolecular), afirmou que quem sofre de esquizofrenia tende a ter um nível de proteína no sangue mais alto do quem não sofre de esquizofrenia. Em sua opinião esse equilíbrio é de grande importância realizando se necessário um jejum supervisionado para que estes níveis se estabeleçam.

     O Dr. Yuri Nicolayev (Instituto Psiquiátrico de Moscou), realizou um estudo que durou diversos anos atingindo a marca de mais de 10.000 pacientes com doenças mentais (a maioria sofria de esquizofrenia). Além do jejum inicial ele receitava uma dieta de manutenção, excluindo da dieta toda proteína de origem animal. Segundo ele, 65% dos pacientes que não haviam respondido a nenhuma terapia tradicional, tiveram seu funcionamento normal restaurado. Ele continuou examinando estes pacientes “incuráveis” por seis anos após o inicio da terapia. Os únicos que apresentaram recidiva foram os que saíram da dieta, consumindo proteína animal.

3 Tratamento de Intolerâncias, Alergias alimentares e químicas
      No geral as intolerâncias são pelo menos um dos fatores em muitos casos de esquizofrenia. De acordo com um estudo apresentado pelo Dr. Amrshal Mandell, investigou-se que pacientes esquizofrênicos hospitalizados que não abtiveram melhora com terapias tradicionais, descobriu-se que 88% tinham reações cerebrais ao trigo, 50% ao milho e 60% ao leite. Desde 1973 os doutores Dohan e Grasberger relataram no American Journal of Pshychiatry que alguns esquizofrênicos agudos melhoram com maior rapidez quando seguem uma dieta sem leite e cereais. 
    O cérebro necessita de endorfina para funcionar normalmente, entretanto o Dr. W. Dowmschke et al, relataram que os níveis de endorfina dos pacientes esquizofrênicos são dez vezes superiores aos das pessoas com funcionamento mental normal. Descobriu-se recentemente que os constituintes do leite (caseína) e do trigo (glúten) também têm atividade semelhante á morfina – desnecessária ás pessoas que já tem 10 vezes mais dessa atividade em seu organismo.

     A fumaça é outro fator comum por trás dos sintomas da esquizofrenia. Da mesma forma que podem causar doenças cardíacas e pulmonares, as substâncias químicas do tabaco podem causar doenças cerebrais. 



4 Tratamento de infecções (ocorridas durante a gestação), bactérias e fungos ( cândida).




5 Outras abordagens



    Outro item a ser verificado é o metabolismo do triptofano, testes e busca de deficiência ou excesso dos ácidos graxos ômega – 6 . O teste do metabolismo de carboidratos também faz parte do diagnóstico molecular e estima-se que 50 a 70% das pessoas com esquizofrenias apresentam anormalidades nesse metabolismo, sendo possível ser corrigido através da alimentação.
    Cabe também ressaltar a importância de se eliminar a cafeína, pois a mesma afeta o equilíbrio normal de três substancias químicas cruciais a saúde de nosso cérebro: dopamina, norepinefrina, serotonina.




Algumas considerações

    Como é sabido, em nosso organismo, nenhum nutriente funciona individualmente. Para que ocorra um metabolismo adequado é necessário a participação de inúmeros aminoácidos, vitaminas, etc.  Ocorre sempre uma reação em cadeia, cujo desfecho final pode ser desejado ou não. Nosso “ambiente interno” é bastante importante. Este consiste não somente nos cerca de 40 nutrientes necessários, minerais, minerais traços, amino ácidos e vitaminas; mas também nas inúmeras substâncias desconhecidas que adentram nosso organismo e podem ser prejudiciais para nós.

   Com o advento da Nutrigenômica é possível entender que embora a genética seja algo irreversível esta somente se manifestará se as condições propícias forem criadas. Os fatores ambientais sempre prevalecem sobre os genéticos.

   Muito embora em certas situações a utilização de recursos farmacológicos seja necessário, estes sempre acabam por produzir efeitos colaterais indesejáveis : alteram síntese e utilização de enzimas, atuam sinergicamente com diferentes elementos dando origem a substâncias desconhecidas pelo nosso corpo, liberam toxinas no nosso sistema circulatório. O organismo precisará dispender de nutrientes e muita energia a fim de equilibrar-se. Neste processo os órgãos também se tornam suscetíveis a danos, abrindo assim a possibilidade para outros tipos de patologias.

    Embora os medicamentos possam controlar os efeitos, e inegavelmente em determinados momentos sejam necessários, somente um tratamento de base poderá atuar de forma efetiva a auxiliar e na reversão do processo patológico. A Nutrição se faz presente e indispensável em todos os processos de prevenção, tratamento e manutenção da saúde. Está na base da dinâmica dos processo imunológicos, de produção de energia, metabolização, reações sinérgicas, formação de neurotransmissores, entre outros, essenciais á manutenção da vida.

   Sob o ponto de vista da Nutrição o tratamento a ser aplicado aos pacientes independentemente da patologia apresentada, é sempre uma abordagem Holística do ser Humano, respeitando sua individualidade bioquímica, suas necessidades enquanto indivíduo, suas limitações e seu contexto patológico buscando atingir o melhor resultado possível.


BIBLIOGRAFIA

LAZARUS, Pat. A Cura da mente através da Terapia Nutricional.  Editora Campus. Rio de Janeiro. 1995.
PHILPOTT, W. H.; KALITA, D. K. Brain Allergies. The Psychonutrient and Magnetic Connections. Second edition. Keats Publishing. Los Angeles.2000

4 comentários:

  1. Realmente vc é o que vc come, muito legal a materia....

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  2. Cheguei ao seu excelente artigo por estar pesquisando os aminoácidos como forma de restabelecer a força, a energia que falta aos esquizofrênicos e acredito que o caminho da alimentação ou complementação alimentar é uma saída.

    Esquizofrêncios comem muito doce, busca inconsciente do organismo por alimentos que lhes dê energia.

    Resta saber quais alimentos e se existe uma dieta que funcione para todos, eu até creio que deva ser uma dieta e complementação vitamínica individualizada.

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  3. Olá Anônimo!
    Do meu ponto de vista a Dieta individualizada é sempre a melhor opção. Busco considerar sempre a complexidade desse ¨laboratório químico¨que é nosso organismo. Se levarmos em consideração a questão genética e a qualidade da maioria dos alimentos à disposição, inevitavelmente precisaremos ( mesmo que de forma provisória) tendo que efetuar alguma complementação em termos de Vitaminas ou Amino Ácidos. Gosto muito desse assunto. Se quiser algumas sugestões de livros ou autores ou então trocar alguma idéia a respeito, segue meu e-mail. geisamaria@hotmail.com. Grata por sua visita e comentário.

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  4. Nossa, estava me aprofundando sobre o assunto para atender um paciente com esta patologia, e acabei encontarndo este blog. Muito bom post.

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